Digão e “Angela” na estrada – BlogSérie em 4 capítulos

por Johnny Garage 

 

Quarto capítulo

 

Balsa rebocada por barco de madeira

De Balsas segui para Carolina, MA, aproveitando a gostosa sensação de viajar moto. Lá de fato sairia uma “BALSA” que cruzaria a divisa Maranhão/Tocantins pelo rio Tocantins. O mais curioso era que o que a puxava era um barco de madeira, que devia ser dez vezes menor que ela e, ainda por cima, amarrado ao lado dela.

Em Araguaína, TO, descobri que teria apenas duas opções de destino: Sul e Norte! 

Seguindo sentido Norte

Achando que não havia rodado o suficiente, decidi então que escolheria o lado norte, que me levaria para Marabá, PA. No caminho enfrentaria 180Km de barro das flores do norte, barro escorregadio. A minha sorte era que não chovia a 3 semanas, mas da mesma forma era úmido e escorregadio.

Marabá e o Paraíso com ar condicionado

Cheguei em Marabá, PA, e me hospedei em um Hostel, onde minha proteção contra os mosquitos era um mosqueteiro em cima da cama da época do “Guaraná com rolha”. No outro dia encarei novamente os 180 Km de barro com destino a cidade de Paraíso do Tocantins, TO.


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Já em Paraíso, me dei ao luxo, após a noite anterior, de escolher um hotel com ar condicionado e piscina, afinal, me virei bem com o mosquiteiro que tinha.

Tocantins e um momento especial 

Quando planejei parte do meu roteiro, um detalhe em especial me motivava a ir rumo ao Tocantins, GO, não apenas um detalhe, e sim, um retorno a algo ou, na verdade, alguém com quem sei que estou e estarei ligado por toda minha vida, meu irmão mais velho, que partiu há alguns anos. Ele produziu um documentário sobre a estrada TO 255 e era uma das metas passar por lá, em busca, talvez, de sanar a saudade de alguma forma.

Sabemos que nossas histórias são compostas por momentos, lembranças, e sem dúvidas, relações humanas e, talvez, por tais relações é que tenhamos como prosseguir. Acho que não conseguiríamos se não tivéssemos ao menos um passado que nos fosse o ponto de partida.

Entre tantas paisagens pelo caminho… Esse trajeto me mostrou o quão breve a vida pode ser. Enfim, o que eu poderia fazer dali para frente era desfrutar dos últimos dias de viagem buscando construir histórias para contar.

Trilhas, cachoeiras e amizades incríveis na Chapada dos Veadeiros

Segui rumo a Alto Paraíso de Goiás, GO. Lá fiquei por 3 dias, fazendo trilhas, cachoeiras e amizades incríveis. A Chapada dos Veadeiros, GO, é um lugar extremamente difícil de ser descrito por estar envolto a tanta beleza e qualquer tentativa de descrição ficaria abaixo da realidade do que os nossos olhos podem ver.


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Turistando em Brasília

Dias depois segui, enfim, rumo à Brasília. Fiquei turistando lá por um dia e meio, com os amigos que fiz na Chapada do Veadeiros. Conhecendo nossa capital, berço de tanta beleza e história, posso também afirmar que, dentre todas as cidades que visitei, é uma das que possui maior riqueza histórica.


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Barretos e um velho amigo + Lucky Friends

Já rumo à Barretos, SP, para visitar um velho amigo, percorri 720 Km. A visita foi rápida, pois no dia seguinte segui para Sorocaba, SP, para encontrar alguns amigos no “Lucky Friends”, um bar conceitual voltado ao nosso lifestyle. Eu e alguns amigos percorremos 100 Km, todos de moto, pra chegar até lá, algo corriqueiro em nosso cotidiano.

A sensação após 14 estados

A sensação de chegar em casa após rodar 14 estados e aproximadamente 8000 Km me fez perceber que quanto mais viajamos mais adquirimos conhecimento e quanto mais conhecimento adquirimos através das viagens, mais queremos colocar o pé na estrada e desvendar novos caminhos e sensações. 

Viajar de moto é uma forma de enriquecer sem bens materiais e, afinal, bens podem ser perdidos ou até mesmo perder seu valor ao longo do tempo. Nesses rolês tudo o que aprendemos acaba se transformando em uma rica coletânea em nossas memórias, que jamais poderão ser apagadas.

E Angela?

Está a espera da próxima Aventura.